Ordem da Rosa

Meu pai disse que eu não tinha amigos. Eu tinha dezoito anos e fiz o teste dele.

Fe Alves

Eu achava que tinha um monte de amigos, na época em que vivia em festa e bebia quase todo dia.

Era o engraçado da turma, o cara descolado, e gostava de estar com aquela galera. Me sentia popular.

Até que fui avisar meu pai que ia sair, e ele disse que não queria que eu fosse. Não gostava daquelas companhias.

Eu tinha muita liberdade em casa, então fiquei revoltado quando ouvi aquilo. Já tinha dezoito anos e achava que podia fazer o que quisesse.

Na minha cabeça, era adulto…

Ele insistiu que eu não iria, e eu respondi dizendo que ele não sabia do que estava falando. Que ele não tinha amigos, enquanto eu tinha um monte.

Meu pai tinha pouquíssimos amigos (acho que dois), e eu usei isso contra ele. Vi a cara triste que fez.

A minha fala tinha atingido.

Ele me respondeu: “Você acha que você tem muitos amigos? Mas você não tem, cara. E um dia você vai descobrir da pior forma.”

Eu continuei defendendo a turma, dizendo que gostava da companhia deles. Aí meu pai me propôs um teste.

Era pra chamar aquelas pessoas pra conversar sobre a vida, sem droga, sem álcool e sem música. E contar que estava treinando e parando de beber.

Aceitei e fiz o teste.

Ninguém quis me encontrar, ninguém quis conversar comigo sobre a vida. Quando falei que estava treinando e parando de beber, me criticaram.

Disseram que era frescura.

Meu pai tinha razão sobre aquelas amizades, e a resposta apareceu quando eu tentei mudar o que fazia junto com eles.

Foi isso que o teste mostrou.

Eu tinha companhia pra um tipo de vida, mas não encontrei a mesma disposição quando quis conversar sobre outra possibilidade.

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