Ordem da Rosa
Fe Alves
Eu achava que tinha um monte de amigos, na época em que vivia em festa e bebia quase todo dia.
Era o engraçado da turma, o cara descolado, e gostava de estar com aquela galera. Me sentia popular.
Até que fui avisar meu pai que ia sair, e ele disse que não queria que eu fosse. Não gostava daquelas companhias.
Eu tinha muita liberdade em casa, então fiquei revoltado quando ouvi aquilo. Já tinha dezoito anos e achava que podia fazer o que quisesse.
Na minha cabeça, era adulto…
Ele insistiu que eu não iria, e eu respondi dizendo que ele não sabia do que estava falando. Que ele não tinha amigos, enquanto eu tinha um monte.
Meu pai tinha pouquíssimos amigos (acho que dois), e eu usei isso contra ele. Vi a cara triste que fez.
A minha fala tinha atingido.
Ele me respondeu: “Você acha que você tem muitos amigos? Mas você não tem, cara. E um dia você vai descobrir da pior forma.”
Eu continuei defendendo a turma, dizendo que gostava da companhia deles. Aí meu pai me propôs um teste.
Era pra chamar aquelas pessoas pra conversar sobre a vida, sem droga, sem álcool e sem música. E contar que estava treinando e parando de beber.
Aceitei e fiz o teste.
Ninguém quis me encontrar, ninguém quis conversar comigo sobre a vida. Quando falei que estava treinando e parando de beber, me criticaram.
Disseram que era frescura.
Meu pai tinha razão sobre aquelas amizades, e a resposta apareceu quando eu tentei mudar o que fazia junto com eles.
Foi isso que o teste mostrou.
Eu tinha companhia pra um tipo de vida, mas não encontrei a mesma disposição quando quis conversar sobre outra possibilidade.
Alguns vínculos dependem
Conteúdo exclusivo para assinantes da Ordem da Rosa. Assine para ler esta edição completa e acessar o conteúdo do seu plano.
Torne-se assinanteOrdem da Rosa · Fe Alves