Ordem da Rosa

O almoço de domingo em que o seu plano morreu

Fe Alves

A travessa de arroz está passando de mão em mão quando alguém pergunta como andam as coisas. Você estava esperando uma oportunidade.

Imagina esse domingo.

Na quinta, decidiu começar um projeto que vinha adiando. Abriu um arquivo, pesquisou o necessário e encontrou uma maneira de dar o primeiro passo.

Por enquanto, falta fazer esse passo.

Mas agora a mesa está olhando, sua tia quer saber das novidades e você já começou a contar o que pretende construir.

O começo sai tímido. Depois, conforme aparece uma pergunta, você vai ficando mais animado e acrescenta outra parte do plano.

Alguém acha a ideia boa.

Você explica como tudo pode funcionar, descreve um resultado que ainda não existe e recebe uma reação que dá gosto de ouvir.

Por um instante, já parece perto.

A travessa chega até você, mas a conversa ficou melhor que a comida. Você continua falando, agora com menos cuidado para separar possibilidade e trabalho feito.

A ideia tem uma plateia.

Naquela noite, você chega em casa e deixa o arquivo fechado. Na segunda, o trabalho que adiou continua esperando, enquanto a história sobre ele já cresceu bastante.

É nessa diferença que quero entrar com você.

O elogio chega antes do trabalho

Na mesa, alguém diz: “pô, vai ficar muito bom!” Você sorri e começa a explicar o que faria depois da primeira etapa.

A primeira ainda está esperando.

Nada impede que um elogio acompanhe uma iniciativa boa, mas repara no que está recebendo atenção naquele momento: a versão contada do projeto.

O trabalho tem outra exigência.

Ele vai pedir que você abra o arquivo e enfrente uma tarefa que pode sair pior do que imaginou, sem ninguém acompanhando a primeira tentativa.

Na conversa, essa dificuldade cabe numa passagem rápida:

Conteúdo bloqueado

Conteúdo exclusivo para assinantes da Ordem da Rosa. Assine para ler esta edição completa e acessar o conteúdo do seu plano.

Torne-se assinante

Ordem da Rosa · Fe Alves